Na tragédia onde Ele estava?



Sempre que o mundo é acometido por uma grande tragédia, por um acontecimento que move e comove corações nos quatros cantos da Terra, muitas vezes nos fazemos essa pergunta: “Onde Deus estava no momento dessa tragédia?”, já li e ouvi várias respostas para esta dura questão, já experimentei muita cura e libertação com muitas dessas respostas, mas agora nos deparamos com uma imagem nas televisões do mundo mostrando um pequeno menino, um pedacinho de uma família ceifado da vida, e novamente ecoa em todos cantos questionamentos quanto a ação de Deus neste momento.

Ver aquele anjinho deitado de bruços à beira mar, me fez olhar rapidamente para meus filhos, para cada pedacinho meu que por graça de Deus estão aqui pertinho de mim, meu coração sangrou vendo a vida de Aylan ser ceifada tão cedo, ver Aylan se tornar símbolo de uma tragédia social e humanitária me fez buscar mais uma vez a minha resposta para essa questão tão singular, tão filosófica, tão existencial, tão egoísta, tão teológica, enfim, questão que tem poder de converter eternamente para o céu, ou para o ateísmo.

Tentei achar respostas cheias de alegorias e simbolismos, em outros instantes queria uma resposta simples e direta, mas em todas respostas formuladas sempre me deparava a novos questionamentos e em cada novo questionamento novas respostas, novas certezas e incertezas. A morte precoce do Aylan me fez olhar, pensar, rever, repensar muitas das pregações que já fiz, incrível ver e rever uma única resposta recorrente: “Eu estava lá!”.

Sabe meu irmão, minha irmã é impossível imaginar que Aquele que criou tudo e todos, se ausente ou ausentou-se em momento tão pujante da história de sua obra prima: “A Humanidade”, fomos e ainda somos criados constantemente a imagem e semelhança de Deus. Não consegui achar resposta que conseguisse trazer ao meu coração uma outra certeza além desta: Deus não se ausentou!!!

Então me pergunto como afirmar ao pai do Aylan que Deus estava ali com eles, como afirmar com verdade Evangélica que Deus estava ali acolhendo em seus braços o pequeno menino, estava em cada instante daquela tragédia sofrendo as consequências das escolhas de homens modificando radicalmente sonhos e anseios de uma família inteira que a partir daquele momento resumir-se-ia em um solitário pai e uma imensidão de saudades. Como afirmar a este homem que os planos de Deus eram e continuam sendo bons?
Jesus nos ensina claramente quando se dirigi a Marta e Maria irmãs de Lazaro diante do sofrimento da morte, Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.(João 11, 25)”, com esta certeza Evangélica deveríamos nos aproximar de cada uma dessas tragédias, de cada uma das pessoas envolvidas nessas tragédias, mas acima de tudo como nos ensina São Paulo:  “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.(I Coríntios 13,1)”, nos é necessário trazer ao coração a capacidade de sermos compassivos, cheios de compaixão. Compassivo aquele que caminha com, aquele que troca passos juntos com alguém, precisamos ter a coragem de caminhar o vale das sombras com aquele que sofre as lágrimas da noite ainda sem ter no coração esperança do sorriso que virá ao amanhecer.

Querer responder o questionamento de uma tragédia, responder ao grande questionamento de onde estava Deus em meio a tragédia inevitavelmente nos levará há um encontro pessoal com nosso íntimo, estranho afirmar que faremos um encontro pessoal conosco mesmos, mas é a grande verdade desse momento iremos encontrar nossa essência, nosso mais profundo EU. E como afirmei no início deste texto a resposta do questionamento nos levará à uma conversão eterno ao céu ou ateísmo, e aqui está o motivo de nos deparar com dois caminhos tão diferentes.

A escolha que fazemos de tentar ver a presença de Deus na tragédia ou ver sua completa ausência na tragédia está muito mais arreigada em nós interiormente do que através de ensinamentos externos, a escolha que fizermos refletirá aquilo que guardamos e alimentamos em nós como essência.
Com a tragédia do pequeno Aylan muitos encontraram conversão para o Céu, e tantos outros encontraram afastamento eterno.
Gostaria de ter uma linda e perfeita resposta capaz de elucidar completamente ao questionamento que motivou este texto, mas não tenho, só tenho em meu coração uma certeza: Deus estava lá, está agora ao lado do pai de Aylan e permanecerá ao lado de todos outros refugiados que infelizmente ainda terão suas vidas ceifadas pela loucura humana.

DEUS ESTAVA, ESTÁ E ESTARÁ junto a todos nós em todos momentos de nossas vidas, em todas tragédias e alegrias de nossas histórias, Ele esteve, Ele está e sem dúvida Ele estará!

Seu irmão em Cristo,

Ricardo de Medeiros

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